1. Vida rotineira.
Eu estava cansada da minha vida sem graça e rotineira. Vivia em uma pensão, porque minha mãe e meu pai haviam morrido há cerca de dois anos, em um trágico acidente de carro.Eu não gostava muito de lembrar disso, porque no dia em que eles morreram, senti uma dor inexplicável. Eles eram meus melhores amigos. No colégio – apesar de minha beleza – eu fora taxada de esquisita, por sempre tirar notas altas, principalmente em Matemática – uma matéria que a maioria dos alunos da minha sala não iam muito bem. Eu fora muito humilhada por todos por causa de minha inteligência. No fundo, eu sabia que as meninas do colégio me invejavam,e por isso, se consolavam em acabar com minha felicidade. Os meninos me olhavam com muita estranheza, não queriam ficar com uma menina que – no pensamento limitado deles – deixaria de ir a um encontro para ficar estudando, então eles não me procuravam. Eu não achava isso muito ruim, já estava acostumada. Sempre gostei da solidão, devido ao meu jeito um tanto reservado e tímido de ser. Eu passava horas lendo, mexendo no computador. Senti uma lágrima sair dos meus olhos. Só depois de alguns anos percebi que minha timidez era uma forma de me proteger de xingamentos ainda maiores, eu achava que se fosse ‘boazinha’ e não fizesse nada demais, as pessoas me respeitariam um pouco. Fechei os olhos e senti as lágrimas se multiplicando no meu rosto de boneca. Eu era tão linda e culta, e ao mesmo tempo tão infeliz. Queria eu ter amigos, conquistar o meu lugar. Mas eu tinha raiva das pessoas que haviam me maltratado e faria de tudo para provar o doce sabor da vingança. Depois que meus pais morreram, minha vida desmoronou e meu peito se transformou em um buraco que doía cada dia mais. Toda a humilhação que eu sofrera não era nada comparado a dor do dia em que eu descobri a morte de meus únicos e melhores amigos.
A mínima esperança que eu tinha em Deus terminou, e eu cai dentro de um labirinto sem saída formado por um sofrimento indescritível. Eu tinha esses mesmos pensamentos todos os dias. Minha vida se resumia a um mar de escuridão que me sufocava cada vez mais. Eu tinha certeza de que não resistiria muito mais tempo, pois a cada dia que passava, mais um pedaço do meu coração se quebrava e se misturava a minha intensa dor. Todos os dias eu lembrava do sorriso doce da minha mãe e da rigidez inconfundível de meu pai, que se fazia de durão, mas nos momentos a sós com sua família, se mostrava um homem muito generoso e engraçado, que divertia a todos! Que saudade deles. Tão imperfeitos, mas tão perfeitos ao mesmo tempo. Seus defeitos o tornavam ainda mais agradáveis para mim, e eu desejava me tornar exatamente como eles assim que eu crescesse. Me doía pensar em detalhes de suas personalidades, mas eu não podia me controlar. Eu tirava pelo menos uma ou duas horas do meu dia para ficar mais só do que nunca,encolhida no meu canto, chorando até os olhos doerem. Por que Deus não era generoso comigo? Simples. Porque ele não existia. Era nessa verdade que eu insistia em acreditar, apesar dos insistentes relatos de meus amigos, que tentavam me convencer de todas as formas que um Deus existia. Mas isso era porque eles eram felizes, tinham uma carreira muito bem sucedida e uma perfeita vida social. Já eu era escrava do trabalho, e os poucos amigos que conquistei, foram devido a minha indiscutível competência. Mas de nada me adiantava ser competente e infeliz. Evitava ao máximo ficar sozinha, e utilizava minhas horas vagas fazendo relatórios e mais relatórios. O inevitável, eu passava sempre remoendo o passado. Antes de dormir, ficava horas pensando nas mesmas coisas e fazendo os mesmos questionamos. Questionamentos que até hoje não pude responder, e que acredito que nunca poderei.
Eu estava cansada da minha vida sem graça e rotineira. Vivia em uma pensão, porque minha mãe e meu pai haviam morrido há cerca de dois anos, em um trágico acidente de carro.Eu não gostava muito de lembrar disso, porque no dia em que eles morreram, senti uma dor inexplicável. Eles eram meus melhores amigos. No colégio – apesar de minha beleza – eu fora taxada de esquisita, por sempre tirar notas altas, principalmente em Matemática – uma matéria que a maioria dos alunos da minha sala não iam muito bem. Eu fora muito humilhada por todos por causa de minha inteligência. No fundo, eu sabia que as meninas do colégio me invejavam,e por isso, se consolavam em acabar com minha felicidade. Os meninos me olhavam com muita estranheza, não queriam ficar com uma menina que – no pensamento limitado deles – deixaria de ir a um encontro para ficar estudando, então eles não me procuravam. Eu não achava isso muito ruim, já estava acostumada. Sempre gostei da solidão, devido ao meu jeito um tanto reservado e tímido de ser. Eu passava horas lendo, mexendo no computador. Senti uma lágrima sair dos meus olhos. Só depois de alguns anos percebi que minha timidez era uma forma de me proteger de xingamentos ainda maiores, eu achava que se fosse ‘boazinha’ e não fizesse nada demais, as pessoas me respeitariam um pouco. Fechei os olhos e senti as lágrimas se multiplicando no meu rosto de boneca. Eu era tão linda e culta, e ao mesmo tempo tão infeliz. Queria eu ter amigos, conquistar o meu lugar. Mas eu tinha raiva das pessoas que haviam me maltratado e faria de tudo para provar o doce sabor da vingança. Depois que meus pais morreram, minha vida desmoronou e meu peito se transformou em um buraco que doía cada dia mais. Toda a humilhação que eu sofrera não era nada comparado a dor do dia em que eu descobri a morte de meus únicos e melhores amigos.
A mínima esperança que eu tinha em Deus terminou, e eu cai dentro de um labirinto sem saída formado por um sofrimento indescritível. Eu tinha esses mesmos pensamentos todos os dias. Minha vida se resumia a um mar de escuridão que me sufocava cada vez mais. Eu tinha certeza de que não resistiria muito mais tempo, pois a cada dia que passava, mais um pedaço do meu coração se quebrava e se misturava a minha intensa dor. Todos os dias eu lembrava do sorriso doce da minha mãe e da rigidez inconfundível de meu pai, que se fazia de durão, mas nos momentos a sós com sua família, se mostrava um homem muito generoso e engraçado, que divertia a todos! Que saudade deles. Tão imperfeitos, mas tão perfeitos ao mesmo tempo. Seus defeitos o tornavam ainda mais agradáveis para mim, e eu desejava me tornar exatamente como eles assim que eu crescesse. Me doía pensar em detalhes de suas personalidades, mas eu não podia me controlar. Eu tirava pelo menos uma ou duas horas do meu dia para ficar mais só do que nunca,encolhida no meu canto, chorando até os olhos doerem. Por que Deus não era generoso comigo? Simples. Porque ele não existia. Era nessa verdade que eu insistia em acreditar, apesar dos insistentes relatos de meus amigos, que tentavam me convencer de todas as formas que um Deus existia. Mas isso era porque eles eram felizes, tinham uma carreira muito bem sucedida e uma perfeita vida social. Já eu era escrava do trabalho, e os poucos amigos que conquistei, foram devido a minha indiscutível competência. Mas de nada me adiantava ser competente e infeliz. Evitava ao máximo ficar sozinha, e utilizava minhas horas vagas fazendo relatórios e mais relatórios. O inevitável, eu passava sempre remoendo o passado. Antes de dormir, ficava horas pensando nas mesmas coisas e fazendo os mesmos questionamos. Questionamentos que até hoje não pude responder, e que acredito que nunca poderei.
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